quinta-feira, 18 de junho de 2009

Hora da cobrança da fatura

No cenário político nacional o assunto da vez é o Presidente do Senado, Senador José Sarney (PMDB - AP). As denúncias (mais algumas) envolvendo o parlamentar tomaram conta dos noticiários nos últimos dias.

Entre elas estão:

- A indicação do senador, de parentes para cargos no senado.
- O recebimento de R$ 3.800 de auxilio moradia por mês, uma vez que o mesmo tem casa em Brasília.
- O empréstimo de um apartamento funcional para o ex-senador Bello Parga (ex-PFL e atual DEM - MA). A mesa diretora só permite que senadores em exercício do mandato usem imóveis funcionais. O mandato de Parga terminou em 2003. Mesmo assim, continuou morando no imóvel até maio de 2007, graças a um favor de Sarney.

Para todas essas acusações o senador tem resposta. No caso dos cargos para parentes ele diz suspeitar de sabotagem interna. Porém afirma que erros do passado podem ficar impunes. Para ele “cada um deve julgar o que fez de certo e errado”. Reafirmou ainda não ter percebido que recebia R$ 3.800 de auxílio moradia por mês.

O senador defendeu essa semana que o termo “ato secreto” não deva predominar no relatório final da comissão instalada para tratar do boletim administrativo mantido sob sigilo pela Casa nos últimos anos. Nesse boletim consta as contratações de parentes, além de outras manobras para manter funcionários ligados á Sarney em cargos no Senado.

Para evitar um estrago maior causado pela revelação de que há decisões sigilosas no senado, José Sarney prefere que o texto final da comissão admita que alguns documentos foram feitos sob sigilo, porém outros contém “erro técnico de publicação” ou “publicação deficiente”.

O relatório pode causar um grande mal-estar para Sarney, que foi presidente do senador por três vezes e para Renam Calheiros, que presidiu a Casa entre 2005 e 2007.

Ambos são os principais responsáveis pelo crescimento de Agraciel Maia na Diretoria-Geral, no período em que os atos secretos se multiplicaram. Um neto e duas sobrinhas de Sarney e afiliados políticos de Renam em Alagoas estão entre os beneficiados desses atos secretos.

Resta agora saber o que será feito para mudar ou pelo menos limpar um pouco essa sujeira que vem emporcalhando o Congresso Nacional cada vez mais. Já é tempo da população tomar as rédeas do poder e expulsar de vez esses caciques parasitas que estão ai a muito tempo.

Aglécio Dias

sexta-feira, 12 de junho de 2009

“Garapa”– o que fazer para mudar essa realidade

Essa semana chegou em minhas mãos um exemplar da revista Brasileiros desse mês, na minha opinião uma das melhores revistas de reportagem do Brasil. Ali se encontram histórias que acredito, mereçam ser contadas.

Este exemplar tem um sabor especial, pois para meu deleite a matéria de capa é com nada menos que o premiado diretor José Padilha e, o que é melhor, escrito por um dos mais prestigiados repórteres brasileiros, Ricardo Kotscho, que acompanhou o diretor até a cidade de Choró, no interior do Ceará. O local foi palco de “Garapa”, o novo filme de Padilha que estreou faz poucos dias nos cinemas de São Paulo. O filme fala da fome, e tem como protagonistas quatro famílias da cidadezinha cearense.

Não assisti ao filme ainda, Mas sei do que se trata. Também sei da repercussão que está causando por conta do seu conteúdo.

Outro dia li uma entrevista com o diretor na Carta Capital, onde o repórter indaga o autor sobre suas reais intenções em fazer esse filme e a ideia de doar todo dinheiro arrecadado na bilheteria para as famílias que participaram do trabalho, uma vez que o filme até agora não deu um bom retorno.

Eu não entendo, queria entender, mas não vejo como. Essas pessoas todas que se dizem jornalistas, sempre procurando abordar o tema da mesma forma. Com tantas coisas pra perguntar, como por exemplo: Como estão essas pessoas hoje? Como viviam antes? Têm parentes nas mesmas situação? O que o cara quer saber é se o diretor está a fim de se promover (foi o que senti no questionamento).

A fome, como o mundo todo está velho de saber, é a principal fonte de tudo que existe de mais temível no ser humano. Por causa dela se mata, se morre, proliferam-se as doenças, enfim. A fome, na maioria das vezes é consequência da miséria provocada principalmente pelo descaso, pela irresponsabilidade, pelo egoismo, pela falta de humanismo, entre outras pestes que destroem o caráter e a civilidade humana.

A matéria, muito bem escrita do Kotscho, vai direto no ponto. Ele, junto com o fotografo Manoel Marques, Padilha com a esposa e filho, viajaram até Choró, exatamente para saber como estão as famílias que o diretor conheceu na época das filmagens.

Dias antes, na pré-estréia do longa em uma sala no prédio da Folha de São Paulo, ele ouviu de um senhor que saiu no meio do filme: “Eu não sou obrigado a ver este filme. Ainda bem que não tive que pagar ingresso. Quem é obrigado a ver esse filme são os governantes, eu não tenho nada a ver com isso”.

Quando soube disso fiquei um pouco decepcionado. Como assim não tem nada a ver com isso? Quer dizer que não é problema seu? Não se importa? Não vai fazer nada? Não tem que fazer nada?

O caso do senhor acima não é um fato isolado, assim como ele, muitas centenas de milhares de pessoas no mundo tem o mesmo pensamento. Isso é horrível. Cadê o sentimento humanitário? Tudo bem que os governantes têm uma parcela maior que as pessoas comuns. Mas nós temos nossa parcela de culpa sim.

É claro que é problema nosso, claro que somos responsáveis, afinal somos nós que elegemos os governantes. As pessoas que passam fome no mundo também são seres humanos, e merecem nossa ajuda de alguma forma. Não necessariamente com dinheiro, há outras maneiras de se fazer isso. Por exemplo exigindo de nossos representantes mais atenção com esse tema. Podemos também sugerir propostas de mudanças em programas sociais do governo, podemos ser voluntários em ações que visam diminuir essa situação...

Conheço de perto a realidade mostrada por Padilha em “Garapa”. Sou cearense assim como os personagens do filme e já vi muitas pessoas passarem pelas mesmas dificuldades que eles. Em algumas situações tentei ajudar como podia, em outras não tinha muito o que fazer, exatamente por encontrar obstáculos provocados por pessoas com o mesmo pensamento do senhor que citei lá atrás e que não viam o problema como sendo deles.

Quando ouço pessoas falando que não tem nada a ver com essas coisas, fica mais claro pra mim que a situação não é só de administração pública ou alimentar e sim uma questão cultural, a humanidade se acostumou com a miséria. A maioria acha normal pessoas morando nas ruas, passando fome. Para muitos são comuns as guerras, a corrupção, entre outra mazelas mundiais.

O que Padilha, está fazendo é trazer esse debate para as ruas, para o cidadão comum que se importa, sem a hipocrisia da maioria dos políticos, de alguns religiosos, e de boa parte da sociedade em geral. O que ele faz é mostrar uma realidade de uma forma mais crua, direta. Está pelo menos provocando o debate. E nós, qual nosso papel nesse contexto?

Muito se houve falar em Deus, em responsabilidade social, ética, amor ao próximo (só se for bem próximo mesmo). Especialistas vivem no mundo das idéias e sempre tem soluções para tudo, sempre na teoria. Mas nem sempre a teoria condiz com a prática. Falar muitos falam, mas quantos saem de suas poltronas em seus apartamentos confortáveis e vão ver o problema de perto, conversar com personagens reais dessas novelas fictícia criadas por eles.

Programas sociais como o Bolsa Família do governo federal pode até ajudar, mas num primeiro momento. Agora a longo prazo é preciso muito mais. É preciso uma ampliação desses programas, a criação de novas maneiras de conseguir recursos, trabalhar mais no desenvolvimento agrário, maior investimento na saúde, na educação, incentivo ao pequeno produtor, enfim. Estou falando só nas regões mais afastadas dos grandes centros, uma vez que cada região do país tem sua realidade própria.

O que precisamos são de mais Josés Padilhas, com mais provocações, precisamos debater mais abertamente essas questões, envolver as pessoas ligadas diretamente à esses problemas, e juntos buscar soluções aceitáveis e concretas.

O Próprio diretor já está trabalhando nesse sentido. Outro projeto seu está a caminho. “Nunca antes na História deste País”, trata da corrupção que envolve os políticos. Segundo ele, será uma espécie de teoria geral, para as outras realidades já filmadas por ele. O filme explicaria por que essas realidades acontecem.


Aglécio Dias

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Dilma quer Banco Central focado no emprego

Direto do site vermelho


Em sua primeira entrevista exclusiva após ter anunciado o tratamento de um câncer, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu que o Banco Central passe a priorizar também a geração de emprego. Ela advogou, ainda, uma retomada da queda da dívida pública a partir de 2010, hoje em 37,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
"A questão da inflação não pode ser hoje a única função do Banco Central", disse. "Em um momento de deflação e recessão (mundiais), ele tem que olhar a política de emprego também."

Pré-candidata à sucessão presidencial, a ministra voltou a dizer que não trata do assunto "nem amarrada", mas não evitou nenhum tema econômico. Braço-direito de um presidente de origem sindical, Dilma diz ser contra qualquer novo marco legal que mexa nos direitos trabalhistas. Para ela, o "estratégico" é uma reforma que profissionalize o setor público.

Segundo Dilma Rousseff, a crise financeira internacional exigiu do governo uma política anticíclica que justificou a redução do superávit primário. Mas, a partir do próximo ano, deve haver compromisso com uma dívida pública menor. "Ainda achamos que temos de manter um esforço para 2010 e anos seguintes", pontuou, sem esclarecer qual governo seria responsável por essa política.

"Nos interessa muito manter essa trajetória decrescente (da dívida) porque ela vai facilitar que a gente seja sustentável em matéria macroeconômica." Sobre avanços estruturais necessários ao crescimento econômico, a chefe da Casa Civil apontou a necessidade de uma reforma que priorize a profissionalização do setor público.

Na contramão de enxugar o tamanho da estrutura do Estado, o projeto passa pela contratação e formação de funcionários, novos planos de carreira e reformas de gestão. O Brasil precisa de um Estado meritocrático e profissional", disse.

O presidente da República pediu agilidade na elaboração do marco regulatório das reservas de petróleo. Segundo a ministra, o projeto deve ser encaminha ao Congresso ainda neste semestre.

Enfrentado o câncer

A ministra surpreendeu o mundo político ao anunciar o tratamento de um linfoma há duas semanas. Se durante a entrevista ela se recusou a tratar da campanha eleitoral, não evitou falar do câncer. "Não é tão ruim assim", disse sobre a doença, acrescentando que o fato de ter decidido enfrentar o problema já é meio caminho andado para superá-lo.

Em meio a sessões de quimioterapia, a agressividade da medicação não abateu o vigor com que fala do governo. Num gesto emotivo, revelou que o mais difícil foi contar à família sobre a descoberta do tumor. "O difícil para mim não foi falar para o presidente Lula, porque ele me protege. O difícil foi falar para a minha mãe e minha filha, porque sou eu quem as protejo", confidenciou. "Quem te protege, você vai lá e se atira no ombro."

Apesar do pouco tempo desde o anúncio, ela contou já ter uma coleção de medalhas e santinhos recebidos de pessoas desconhecidas. Ex-guerrilheira e vítima de tortura no regime militar, Dilma Rousseff não escondeu seu lado religioso. "Acho que todo mundo é (...) essa crença que você sempre tem na hora que o avião balança e você diz, Nossa Senhora, eu não conheço ninguém que não tenha."

Fonte: Reuters Brasil

sexta-feira, 8 de maio de 2009

MP quer impugnar contas de campanha de Kassab

Fonte: Folha de S. Paulo





Ministério Público quer impugnar contas de campanha de Kassab


As contas de campanha do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e de 46 dos 55 vereadores da cidade sofrerão pedido de impugnação pelo Ministério Público Eleitoral.
Entre as supostas irregularidades estão doações proibidas por lei e uso de notas fiscais falsas. Segundo o Ministério Público, há doações feitas por empresas que controlam ou têm participação em concessionárias de serviços públicos ou doações de associações.
No limite, a impugnação pode levar à perda do mandato. "Temos provas de irregularidade nas prestações de contas, que são documentais", afirmou o promotor paulista Maurício Antônio Ribeiro Lopes, da 1ª Zona Eleitoral.
As contas dos candidatos já foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas o promotor argumenta que não há problema em reabrir os casos. "Não tem trânsito em julgado nessas prestações de contas.
É procedimento administrativo e pode ser reaberto desde que surjam fatos novos", afirmou.Kassab disse ontem que as doações são todas legais. "Estou tranquilo e à disposição da Justiça", disse o prefeito.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Quem liga para a opinião pública

Sempre tive interesse em política, este é, na minha opinião, um tema que deveria ser interessado por todos que são, de uma forma ou de outra, depedentes dela. Como sabemos, ou pelo menos deveriamos saber, praticamente tudo relacionado a política está diretamente ligado ao nosso modo de vida.

Pois bem, quanto ao argumento acima não tenho dúvidas. o que me faz ter dúvidas é qual será o destino, daqui pra frente, de toda essa história de política. De cenário político, de nossos representantes, que pelo menos na teoria o são. Principalmente depois de tantos escândalos envolvendo eles.

Por que estou escrevendo tudo isso? É porque nos últimos meses muita coisa tem acontecido ou melhor, tem vindo a tona envolvendo muitos desses ditos 'representantes'.

Sem precisar puxar muito pela memória, deixando de lado os casos Collor de Melo e o mensalão. Temos vários casos mais recentes. Entre eles as farras das passagens aéreas, as operações abafa, as trocas de favores ou como prefiro chamar manutenção de favores. Tudo isso me dá nauseas.

Agora, o que me dá verdadeira vontade de esvaziar meu estômago pelo mesmo caminho por onde o enchi. É uma matéria que li hoje com título. “Estou me lixando para opinião pública”.

A frase foi dita pelo deputado Federal Sérgio Moraes (PTB – RS) a um grupo de jornalistas. Na ocasião ele disse não ver razão para a condenação de seu colega Edmar Moreira (Sem partido), já que aredita que ele não cometeu irregularidade nenhuma. Pra que não sabe, Moraes é relator no caso de Moreira que é acusado, entre outras coisa de não declarar um castelo no valor de 25 milhões.

O que me deixa ainda mais preocupado, além do caso com cheiro de pizza de Edmar, são as palavras usadas pelo relator pra falar sobre a imprensa. “Estou me lixando para a opinião pública. Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. tanto é que nós nos reelegemos”.

Trocando em miudos. Falem o que vocês quizerem, por que não faz diferença. Nas próximas eleições nós iremos nos releger mesmo.

Será isso mesmo?

Aglécio Dias

Congresso aprecia 943 vetos presidenciais; acordo prevê aprovação de todos


Direto do site do Senado Federal



O Congresso Nacional votou na noite desta quarta-feira (6) um total de 943 vetos do presidente da República a diversos projetos de lei. A apuração deve ser feita apenas pela manhã desta quinta-feira (7), mas um acordo entre os líderes partidários determinou que fossem apreciados somente os vetos que não geram controvérsia. Havia 1.012 vetos na pauta da sessão desta quarta-feira. A previsão é que todos sejam aprovados - ou seja, mantidos. Os vetos considerados polêmicos, por sua vez, devem ser analisados na próxima semana.



Os vetos apreciados nesta semana referem-se a 119 projetos de lei, os quais haviam sido aprovados anteriormente pelo próprio Congresso. O número de propostas (119) é muito menor que o de vetos (943) porque estes últimos podem ser integrais - quando toda a matéria é vetada - ou parciais - quando um ou vários trechos de determinada matéria são vetados. Assim, uma proposta pode receber vetos parciais a diversos trechos de seu texto.



Senadores e deputados federais votaram por meio de uma cédula única, na qual estavam indicados os projetos de lei em questão e, no caso dos vetos parciais, os respectivos dispositivos vetados. Ao lado de cada item apareciam três opções: S (sim), N (não) e A (abstenção). A apuração será realizada pela Secretaria Especial de Informática do Senado (Prodasen) a partir desta quinta-feira (7).



Polêmicas



Alguns parlamentares criticaram a forma como os vetos presidenciais têm sido votados. O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), por exemplo, declarou que, ao votar em apenas uma sessão todos esses vetos, "o Congresso atende ao presidente de plantão, seja ele quem for". O deputado sugeriu que os próximos vetos sejam analisados logo após sua apresentação pelo presidente da República, "e não da forma atual, que é ruim para o processo legislativo e depõe contra o Congresso Nacional".



Entre os vetos que poderão ser analisados na próxima semana - e sobre os quais há controvérsia - está o que foi apresentado à emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) à medida provisória 288, de 2006. Essa emenda estendia o reajuste de 16,67%, concedido naquele ano ao salário mínimo, a todas as pensões e aposentadorias. Vários senadores, além do próprio Paim, defendem a derrubada desse veto.





Ricardo Koiti Koshimizu / Agência Senado